PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU EM ENSINO EM CONTEXTO INDÍGENA INTERCULTURAL
Egressos do PPGECII
Sou da etnia Chiquitano e resido na Terra Indígena Portal do Encantado, Porto Esperidião/MT.
Durante a minha formação, percebi como as diferentes formas de pensar e organizar a linha de pesquisa do mestrado PPGECII, juntamente com os materiais disponibilizados, contribuíram para uma rica troca de conhecimentos.
Ressalto a importância da Unemat para os povos indígenas de Mato Grosso, pois a formação de professores indígenas permite que o aprendizado adquirido seja aplicado nas comunidades.
Nesse sentido, passamos a colaborar com o processo de aprendizagem dos alunos nas escolas, participamos de reuniões importantes e de tomadas de decisões.
Atualmente, considero-me um professor pesquisador atento às mudanças que impactam nossa comunidade e interferem na formação escolar dos alunos.
Minha missão é garantir que nossa cultura e conhecimentos tradicionais sejam valorizados por nossa juventude. Meu objetivo é seguir me qualificando e alcançar o doutorado e desejo que os estudos e pesquisas possam refletir positivamente nas comunidades indígenas, especialmente no ambiente escolar, onde nasce a esperança de um mundo mais justo, social e comunitário.
Meu nome é Waraxowo’i Maurício Tapirapé e sou do povo Apyãwa/Tapirapé, da aldeia Tapi’itãwa, Terra Indígena Urubu Branco, município de Confresa Mato Grosso.
Iniciei meu processo de estudos na aldeia Tapi’itãwa, na Escola Indígena Estadual Tapi’itãwa e com professores Apyãwa/Tapirapé. Desde quando eu comecei a frequentar a escola, as atividades iniciais até a 2ª série foram desenvolvidas na língua materna.
Entretanto, a partir da 3ª série, começamos a estudar a língua portuguesa, mas sem abandonar a língua materna. No início, não acreditava que outras oportunidades apareceriam para eu continuar meus estudos, contudo, nunca deixei de me dedicar e os meus pais apoiaram minha trajetória.
Dessa forma, consegui realizar a graduação de Ciências da Linguagem na Educação Intercultural - Núcleo Takinahakỹ de Formação Superior Indígena (Universidade Federal de Goiás). Para estar neste curso, em alguns momentos, fiquei longe da família, foi quando comecei a me interessar por estudos linguísticos. Com o término da graduação, passei a atuar como professor na minha comunidade e lecionei no Ensino Infantil, Fundamental e Médio.
Em 2021, ingressei no mestrado do Programa de Pós-Graduação Ensino em Contexto Indígena Intercultural (PPGECII). Na ocasião, eu aprimorei o meu conhecimento como pesquisador para registrar os saberes Apyãwa. Assim, elaborei uma pesquisa aprofundada sobre estudos linguísticos voltados para a língua materna do povo Apyãwa, de modo que a minha dissertação foi sobre “Ensino de Palavras Masculinas e Femininas na Língua Apyãwa: Resistência Cultural e Linguística”.
Atualmente, obtive êxito em ser aprovado no doutorado na Universidade Federal de Goiás (UFG). Nesta nova fase, estou pesquisando e aprendendo sobre os saberes ancestrais Apyãwa e espero melhorar ainda mais a minha prática pedagógica dentro da educação escolar e na educação indígena.
Saliento que, durante todo esse processo de formação, eu enfrentei muitas dificuldades, porém, elas foram superadas e não me impediram de conquistar o meu objetivo na carreira acadêmica.
Sou coordenadora-tesoureira da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), onde atuo no fortalecimento da gestão, da transparência e da autonomia das organizações indígenas da Amazônia. Fui eleita no mês de agosto, entre os dias 03 e 05, na aldeia Manga, Terra Indígena Uaçá, município de Oiapoque, Amapá, para o mandato de 2022 a 2026.
Também sou vice-presidente da Organização das Mulheres Indígenas de Mato Grosso (Takina), contribuindo na defesa dos direitos das mulheres indígenas, no fortalecimento de suas vozes e na valorização de seus saberes ancestrais e territórios. Minha atuação é guiada pelo compromisso com os territórios, a cultura, a autonomia e a luta coletiva dos povos indígenas, especialmente, das mulheres que, historicamente, sustentam e protegem a nossa vida e o bem-viver nos territórios e na luta por nossos povos originários.
Minha trajetória nas Conferências do Clima começou com a participação na COP27, realizada em Sharm el-Sheikh, no Egito. Estar presente nesse espaço global representou muito mais do que uma participação institucional: foi a oportunidade de levar a voz do meu território, da minha história e dos saberes ancestrais que me formam. Como painelista, compartilhei reflexões sobre os territórios tradicionais, destacando a importância de reconhecer e valorizar os conhecimentos dos povos originários na proteção da natureza e no enfrentamento das mudanças climáticas. Foi um momento de escuta e também de afirmação, em que pude dialogar com diferentes povos e nações, mostrando que nossas práticas já são, há muito tempo, caminhos concretos de sustentabilidade.
Participar da COP27 também me permitiu compreender os desafios das negociações internacionais, onde muitas vezes as decisões ainda caminham lentamente diante da urgência climática. Ainda assim, reforçou em mim a certeza de que a presença dos povos indígenas nesses espaços é fundamental para transformar as políticas e garantir justiça climática.
Agora, com a realização da COP30 em Belém, sinto que se abre um novo capítulo nessa caminhada. A Amazônia será o centro das discussões globais, e isso fortalece ainda mais a responsabilidade de levar nossas vozes, nossos territórios e nossas lutas para o mundo. Minha trajetória nas COPs é, acima de tudo, a continuidade de uma história coletiva. É a presença de quem vem da terra, de quem aprende com ela e de quem luta diariamente para protegê-la. É também um compromisso com as futuras gerações, para que possam viver em um mundo onde a natureza seja respeitada e os territórios sejam preservados.
Participei também da Conferência de Bonn sobre Mudanças Climáticas, realizada em Bonn, Alemanha, no âmbito das negociações da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. Atuei como representante indígena, contribuindo nos debates sobre mudanças climáticas, direitos dos povos indígenas, proteção dos territórios e justiça climática, com ênfase no protagonismo das mulheres indígenas da Amazônia e do mundo.
A participação na Conferência de Bonn ocorre anualmente como etapa preparatória das negociações internacionais do clima, antecedendo a Conferência das Partes (COP). No entanto, tudo exige uma preparação para participar de uma COP.